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Rabi'a – Cantora do Puro AmorDesde
os primeiros séculos do Islão, havia duas tendências:
O Islão oficial, ligado ao poder e jurista; segundo o Islão
espiritual, cujo olhar ultrapassa além das letras para procurar a
Verdade a exemplo do Profeta e seus primeiros companheiros. O movimento Sufista começou a desenvolver a partir do século II (Hegira). Homens e mulheres piedosos começaram a se reunirem em "Ribar” (tipo de convento) para a oração ritual e depois continuavam em meditações mais aprofundadas. Destas reuniões nasceram as confrarias sufistas e suas variadas "Escolas espirituais" ou "Vias" (Tariq). As primeiras se formaram em Basra, Bagdá, Kufa, (atual Iraque), depois em Abbadan, Golfo Pérsico; Rambé, Síria; Jerusalém; África do Norte.... Eram escolas regionais e independentes. A de Basra se desenvolveu em volta de Hassan al-Basri, depois organizada por Ibn Zayd. O ensino desta escola se caracterizava pelo grande fervor religioso, pobreza, pureza de intenção e seguir os ensinamentos do Profeta assim que o desejo de Deus. Seus membros vivem em vida comunitária com uma regra de exercícios espirituais em comum (oração, Dhikr, Sama) que são realizados em uma sala de oração ou célula individual. Assim dentro deste clima que viveu Rabi'a, conhecendo particularmente a Escola de Basra. Rabi'a
nasceu em Basra, atual Iraque, aproximadamente no ano 93 (Hegira), 713 de
nossa era, de pais pobres. O
historiador Farid-ad-Din 'Attar
relata que na noite que nasceu Rabi'a seus pais
não tinham nada em casa, nem luz e
nem um tecido para enrolar a recém nascida. Ela era a quarta
filha, por isso seu pai a chamou de Rabi'a (em árabe, Quarta). Ela ainda
estava na adolescência quando ficou
órfã e em seguida veio uma grande seca na região de Basra e
muitos saíram da região e ela se viu separada
de suas irmãs e sozinha foi pega por um homem injusto que a
vendeu por seis dirhams a um
mestre violento e duro. Seu
mestre a forçou a fazer trabalhos forçados até que um dia ela
conseguiu fugir e refletiu:
"Meu Deus, eu sou estrangeira, uma órfã, uma prisioneira e
tornei uma escrava. Mas minha grande preocupação é de saber se Tu és
satisfeito de mim ou não!!".
Então ela escutou uma voz: "Não fique triste, pois no
dia do Juízo Final os anjos do céu te olharão e te mostraram teu lugar". Fugitiva,
Rabi'a, foi pega novamente e vendida a um comerciante rico de Basra e
este a fez uma flautista e
uma celebre cantora. Os ricos
de Basra vinham escutar sua voz maravilhosa e admirar seu talento. Ela se
entregou aos prazeres da vida, cercada pelos seus ricos admiradores,
até que um dia ela começou a pensar como estava vivendo e quem
era aquelas pessoas que a rodeava. A
sensualidade dos homens a deixou triste e ela pensou
cada vez mais sobre sua vida e pouco a pouco
começou a mudar suas
palavras nas canções que cantava ao público, falava então de uma
nostalgia, de um amor
absoluto. Época então que começou a freqüentar a escola espiritual de
Basra e começou a praticar a oração e meditação.
Ma Cha'a Allah Confiança ilimitada em Deus que tudo criou perfeitamente Um
historiador relata que Rabi'a ao
voltar de suas meditações servia seu mestre
e depois passava a
noite de joelhos a rezar. Um dia seu mestre acordou e
a viu orando: "Meu Deus, Tu sabes que meu coração Te
deseja obedecer e que a luz dos meus olhos estão a Teu serviço. Sou
escrava e não deixarei de Te servir um só instante. Mas Tu me deixastes
a disposição desta criatura (seu mestre)... ". Enquanto ela
rezava seu mestre viu uma luz que a iluminava.. No outro dia, ele chamou
Rabi'a e lhe falou: "Você esta livre. Se você quiser pode ficar
e nós seremos os teus servidores. Se não pode partir para onde quiser".
Então Rabi'a disse que partiria para consagrar sua vida a Deus. Levou
consigo sua amiga Abda e
passaram a viver em uma casa modesta, onde passavam a
noite em oração. Abda que viveu ao lado dela até a morte
escrevia suas palavras, as quais temos hoje: "Rabia
orava toda a noite, quando o sol aparecia ela dormia um pouco sobre seu
tapete de oração. Ela dizia em suas orações: Alma carnal, como você
dorme tanto! e como é pouco o tempo que você passa a orar!!..." O
caminho da vida espiritual de Rabi'a se resumia em "Amar Deus e
Ele somente". era fiel
a mensagem corânica e desde
cedo entendeu que somente com
Deus devemos contar. As
criaturas, mesmo as que nós amamos muito, não são mais de que Deus.
Os motivos que ela coloca para justificar seu desapego revelam a
sutileza de sua psicologia espiritual. Assim , para ela passar seu tempo
a desconjurar o mundo, não vale a pena. O que deve fazer, é esquece-lo
para não pensar que em Deus. Como
ela chegou a este grau de espiritualidade? Ela responde: "Meu
Deus, eu me refugio junto a Ti contra tudo que me desvia de Ti e contra
todos os obstáculos entre Ti e eu.? Para ela ainda é necessário
desprender dos bens deste mundo e de suas riquezas. Ela sempre recusou os
dons que lhes eram oferecidos pelos seus amigos Muitos a procurava para
casar, príncipes, grandes comerciantes... e ela dizia: "o
casamento é obrigatório para os livres de escolha. Mas eu não tenho
liberdade de mim mesmo, eu pertenço a Deus e vivo a sombra de Suas
ordens. Minha pessoa não tem valor" Seu amor por Deus invadiu
inteiramente seu espirito que ela esquecia todo resto. Ela não sentia
mesmo a dor quando se feria Para
ela tudo vem de Deus. Seu
amor por Deus era total: "Oh certo, eu O amo realmente!".
Rabi'a vai mais longe, não somente amar Deus e aspirar a Vê-Lo do outro
lado, mas também e sobretudo unicamente Ama-Lo, sem procurar nenhuma
recompensa nem o Paraíso. É o puro amor, uma nova via que ela abriu a
espiritualidade islâmica Uma
vez ela encontrou alguns santos e perguntou a estes: porque amas a Deus?
Um respondeu, eu o amo por medo de ir ao inferno; outro, eu o amo porque
desejo ir ao Paraíso. E se não houvesse nem Paraíso e nem inferno,
adorarias Deus?. "É um mal adorador aquele
que adora Deus pela esperança de entrar no Paraíso ou por medo
do inferno. Então
perguntaram porque ela ama Deus: "Eu O sirvo por Ele mesmo Não me
é suficiente que Ele me conceda a graça de adora-Lo". "Pela
Tua força, ó Deus, eu não Te adoro porque desejo Teu Paraíso,
mas por amor a Ti. Não é o Paraíso que eu passarei minha vida a
procurar." A
doutrina do puro amor de Rabia é simbolizado por uma anedota conhecida
no Oriente: Um dia, as pessoas viram Rabi'a com uma brasa em fogo
na mão esquerda e um copo de água na mão direita,
e ela corria .
Perguntaram para ela, onde vais?. Ela disse:
eu vou ao céu para jogar o fogo no paraíso e água no inferno,
assim nenhum nem outro existirão e os fieis irão em direção a
Deus sem esperança do paraíso e
sem medo do inferno e não adoraram que
Deus. Rabi'a
passou a ser conhecida como a "Senhora da Caridade e do Puro
amor" e no islão existem várias outras mulheres que se
elevaram na espiritualidade. O que
marca Rabi'a é sua simplicidade, pobreza. ela não pregava ela
iluminava. sua vida não foi uma reflexão
intelectual, foi uma experiência pessoal e intima com Deus. O
ponto de partida de Rabi'a é o Alcorão: Deus somente, é preciso
adora-Lo, obedece-Lo e não inspirar que Ele somente. Este é o vocabulário
corânico e ela faz guia de
sua vida espiritual. Rabiá é uma das mais belas e puras mulheres do
Sufismo e é uma das mais conhecida no
mundo islâmico, muitos sãos os filmes, livros... que mostram sua vida
e muitos são os muçulmanas que foram tocados pela sua
espiritualidade e simplicidade, mostrando também que a dedicação a oração
do coração existe também no Islã.
Poema de dois amoresEu
te amo de dois amores: um amor instintivo E
um amor cujo qual Tu és o Único digno. O
amor instintivo, É
de passar o meu tempo a pensar em Ti, a exclusão de todo outro. Mas
o amor cujo qual Tu és o Único digno, É
que Tu retiras os véus para que eu possa Te ver. Nenhum
louvor para mim, tanto em um
como no outro; Mas
a Ti todo louvor, em um como
no outro. Rabi'a
RamadãO
Mes de Ramadã (Al
Ciyam - Jejum)
nono mês
do calendario árabe - Hégira e’ um grande momento de reflexao para os muculmanos. O Profeta Mahamad (Maome’) disse: “O Islam foi fundamentado sobre cinco pilares: a dupla profissão de fé e o cumprimento da oração, da caridade, do jejum no mês de Ramadan e da peregrinação a Mekka... O
Alcorao cita: “Ó fiéis, está-vos
prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que
temais a Deus’(Al-Corão 2, 183 Este
mês é a purificação do corpo e do espirito e a pessoa obtem
o comando de si mesmo, se torna vigilante e torna se mestre
de suas paixões, se privando de todos os prazeres. Foi
na noite do dia 27 de Ramanda,
ano de 611, chamada “ Noite do Destino- “ Laylat al-Kadr) que
Mohammad recebeu a Revelacao do Alcorao atraves do Anjo Gabriel,
que lhe disse: "Tu
és o enviado de Deus, o
Profeta de Allah” e
lhe ordenou: “Lê!, Em
nome do teu Senhor que criou; Criou
o homem de algo que se agarra. Lê,
que teu Senhor é Generosíssimo, Que
ensinou através do cálamo, Ensinou
ao homem o que este não sabia”.* *
Al-Corão 96, 1-5. Primero versículo revelado do Al-Corão. O homem se torna grande quando tem a coragem de se ajoelhar e prosternar diante do Absoluto. Maringá conta com uma grande comunidade muçulmana, mais de mil pessoas, particularmente libaneses e palestinos, com seus descendentes. Assim como uma Sociedade Beneficente, fundada em 1981 e uma bela Mesquita constuída Segundo a arquitetura oriental islâmica, que fortalece assim Maringá, Cidade de dialogo de culturas do Extremo Oriente, Oriente Médio…
Khatlab,
Roberto, escritor e pesquisador, estudou Historia das Religioes e
Islamologia, autor de varios livros, entre outros “ Maria no Islã”,
Editora Ave Maria, São Paulo, 2003 - http://www.avemaria.com.br/port/detalhada.php?codprod=500967 Os textos corânicos citados nestes textos pertencem a tradução dos significados do Al-Corão feita pelo Professor Samir El Hayek. |
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